Braskem: Análise fundamentalista 2012 até 1 SEM 23

A Braskem é uma empresa petroquímica criada em 2002 para atuar no mercado de resinas termoplásticas (polietileno, polipropileno e PVC). A companhia surgiu com a compra da Copene pela Odebrechet e pelo Grupo Mariani no ano anterior. Atualmente, a empresa é líder em seu mercado nas Américas e se firmou como a maior produtora de polipropileno dos Estados Unidos. Atualmente a empresa tem 40 unidades produtivas, sendo 29 delas no Brasil e conta com uma equipe composta por oito mil colaboradores.

Nota: Neste trabalho estritamente acadêmico, procuramos a partir dos demonstrativos financeiros publicados pela empresa aos órgãos regulamentadores do mercado de capitais (CVM) em efetuar uma análise fundamentalista utilizando indicadores da gestão financeira e econômica; no sentido de testar a aplicabilidade dos indicadores de finanças amplamente difundidos por autores de renomes nacionais e mundiais na análise do desempenho empresarial; permitindo assim, julgamentos sobre o aspecto estritamente financeira e que agregado ao planejamento estratégico poderá contribuir para análise em diversos sentidos.

Também reconhecemos que o desempenho futuro é reflexo de uma sólida construção apresentada no desempenho histórico.

Nossa análise técnica e acadêmica:

A Braskem encerrou o semestre com um faturamento de R$ 37 bilhões e um lucro bruto de R$ 1,433 bilhões resultando numa margem bruta de 3,88%; e como as despesas operacionais totalizaram R$ 2,587 bilhões a empresa teve um prejuízo operacional de R$ 1,144 bilhões e com o resultado financeiro de R$ 191 milhões o prejuízo líquido antes dos impostos foi de R$ 1,335 bilhões que beneficiada com a base ativa do imposto de renda e contribuição social no valor de R$ 754 milhões reduziu o prejuízo para R$ 580 milhões.

O resultado financeiro foi beneficiado com as variações cambiais ativas e passivas no valor de R$ 1,760 bilhões, e as despesas com juros do semestre foi de R$ 2,989 bilhões decorrente do passivo oneroso com os bancos no valor de R$ 37,553 bilhões, resultando numa taxa de juros no semestre de 3,46%.  Estrutura de Capital: Como um patrimônio líquido no valor de R$ 6,7 bilhões e um capital de terceiros bancário no valor de R$ 37,5 bilhões o índice debit/equity atingiu no segundo semestre 5,57 demonstrando o risco além do operacional o financeiro em evolução.

O EBITDA, sem ajustes do período foi de R$ 1,390 bilhões com uma margem EBITDA de 3,74%, com a projeção de encerrar o ano com um índice DÍVIDA/EBITDA de 13,5 indicando um período de 13 anos para a empresa, mantendo sua estrutura anual para fazer frente ao “zeramento” do passivo bancário.

O lucro operacional mais conversador (NOPAT) por deduzir os impostos devido ao FISCO, sem o acréscimo do desgaste dos bens físicos foi de R$ 46 milhões (negativo) comprometendo seriamente o INDICADOR DA RENTABILIDADE da EMPRESA, que foi negativo em 0,10%, muito distante da taxa da captação bancária relacionada a DÍVIDA DA EMPRESA no valor de R$ 37,7 bilhões.

Os efeitos acima estão impactando o CAIXA da EMPRESA que fechou o semestre com R$ 1,5 bilhões, insuficiente para o pagamento dos juros bancários no valor de R$ 2,3 bilhões o FLUXO DE CAIXA LÍVRE da empresa fechou no negativo e foi necessário a emissão de novas dívidas no valor de R$ 3,6 bilhões para um acréscimo de R$ 773 milhões no CAIXA no segundo semestre 2023. A empresa controla o seu processo produtivo, prazos aos clientes e fornecedores e resultou num ciclo financeiro de 42 dias, com um prazo de estoques de 65 dias, aos clientes de 20 dias e pagamentos aos fornecedores de 43 dias.

Nosso parecer: A empresa encontra-se com dificuldade de controle dos seus custos fixos e operacionais e repasse ao preço, com queda livre da margem bruta e operacional e ainda com o alto endividamento e baixo giro operacional vem comprometendo a geração de caixa; com uma RENTABILIDADE do ATIVO OPERACIONAL muito abaixo do comportamento do mercado. Com altos investimentos no ATIVO IMOBILIZADO em 47% e baixa rentabilidade indica investimento sem resultado na geração de caixa, o que pode continuar a comprometer a saúde financeira da empresa, elevando o seu risco total.  Um concorrente com boa gestão empresarial que adotar a política do ponto de equilíbrio, na redução das margens em busca de volume e mercado, correlacionado aos seus investimentos e fontes de financiamentos, poderá exercer pressão de concorrência, devido a fragilidade que a BRASKEM se encontra no momento.

Abaixo os quadros com indicadores financeiros e econômicos da BRASKEM

Abaixo mensagem da administração da BRASKEM referente ao desempenho do 1SEM’23.

Ao longo do segundo trimestre, o cenário de demanda global seguiu impactado em função, principalmente, (i) do menor nível de consumo global como resultado das elevadas taxas de juros e da pressão inflacionária persistente; (ii) do efeito da desestocagem da cadeia de transformação; e (iii) da recuperação da atividade industrial da China abaixo das expectativas do mercado. Além da menor demanda observada no período, a entrada em operação de novas capacidades continuou impactando os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional. Nesse sentido, no 2T23 a taxa de operação no Brasil foi inferior ao 1T23 em função, principalmente, da retração da demanda no período e de instabilidades operacionais, que resultou na redução de 13% no volume de vendas totais de resinas e no volume de vendas de principais químicos no mercado brasileiro. No entanto, a taxa média de utilização do segmento Estados Unidos e Europa permaneceu em linha com o 1T23 e o volume de vendas aumentou 3%, influenciado pelo maior volume de vendas nos Estados Unidos. Vale destacar a performance operacional do segmento México que apresentou aumento na taxa de utilização de 14 p.p., dado o maior fornecimento de matéria-prima nacional e importada, que resultou no aumento de 8% no volume de vendas de PE no período. Diante desse contexto, a Braskem registrou no trimestre EBITDA Recorrente de US$ 140 milhões (R$ 703 milhões) e prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 156 milhões (R$ 771 milhões). Em relação a higidez financeira, a Companhia manteve sua forte posição de caixa em US$ 2,9 bilhões (R$ 14,0 bilhões), que garante a cobertura dos vencimentos de dívida nos próximos 74 meses, e o perfil de endividamento bastante alongado. Adicionalmente, a Braskem permanece focada na implementação das iniciativas corporativas para maximização da geração de caixa, através da otimização da gestão de capital de giro, o que permitiu uma variação positiva em R$ 1,0 bilhão explicada (i) pela redução no giro de dias a receber; (ii) pela redução de 15% na média dos preços das matérias-primas no mercado internacional e de 8% na média dos preços de produto acabado em Estoques; e (iii) pela gestão de fornecedores com o aumento no giro de dias a pagar. Por fim, em relação a sua estratégia de crescimento, a Companhia continuou avançando nos projetos atrelados as suas avenidas de crescimento (i) de negócio tradicional, com o avanço físico de cerca de 40% na construção do terminal de importação de etano no México; (ii) de bio-based, com a conclusão e início das operações do projeto de expansão de 30% da capacidade atual de produção de eteno verde no Rio Grande do Sul; e (iii) de reciclagem, com o aumento no portfólio de produtos e segmentos, além da consolidação dos produtos provenientes da Wise, empresa de reciclagem a qual a Braskem conclui a aquisição de 61,1% no 1T23.

Um bom estudo

Prof. Alexandre Wander

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA – INVESTINDO NA BOLSA COM SEGURANÇA – 100% ON LINE

 

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