Crise, oportunidade, vontade e liderança

Para Luiz Alberto Machado, nem Lula, nem Flávio Bolsonaro têm vontade e liderança para tirar o País da situação em que se encontra e conduzi-lo à retomada do crescimento em bases sustentáveis Luiz Alberto Machado Em recente palestra, o ex-ministro Maílson da Nóbrega alertou para o grave quadro em que a economia brasileira se encontra, atribuindo a situação principalmente à questão fiscal. Segundo o ministro, é provável que o quadro se agrave ainda mais até as eleições, uma vez que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem hesitado em lançar mão de “bondades” com objetivos eleitoreiros, cujo impacto nas contas públicas é bastante preocupante. Embora não tenha mencionado explicitamente uma analogia associada ao alfabeto chinês, Maílson estabeleceu um link entre crise e oportunidade de crescimento na economia brasileira, condicionando a existência desse link à presença de vontade e liderança por parte dos governantes. Iniciemos pela analogia com o alfabeto chinês. Embora contestada por importantes especialistas, Benjamin Zimmer, um linguista norte-americano, apresentou a história do significado de weiji, em 1938, no editorial de um jornal em língua inglesa para missionários na China. O uso do termo provavelmente teve o seu grande momento quando John Kennedy fez um discurso em Indianápolis, no dia 12 de abril de 1959, antes, portanto, de assumir a presidência dos Estados Unidos. Na oportunidade, Kennedy afirmou que “quando escrita em chinês, a palavra crise é composta por dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade”. Kennedy usou sucessivas vezes essa ideia como recurso retórico nas suas mensagens, e o mesmo foi apropriado por Richard Nixon e outros políticos, sendo imitados por consultores motivacionais e palestrantes do mundo dos negócios. Condoleezza Rice, por exemplo, usou essa interpretação durante as discussões sobre o conflito israelo-palestino, em 2007. Al Gore também fez uso dessa argumentação, tanto no seu testemunho na “U.S. House of Representatives” do Congresso dos Estados Unidos (Comitê de Energia e Comércio), como no seu discurso de agradecimento, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, em 2007. A palavra chinesa para “crise” (weiji ou wei-chi) é muitas vezes invocada em palestras e textos motivacionais de autoajuda junto com a declaração de que esses dois caracteres representam “risco” ou “crise” e “oportunidade”. Porém, essa tradução pode ser um tanto falaciosa, uma vez que o caráter jī, isoladamente, não significa necessariamente “oportunidade”. Independentemente da validade dessa associação, Maílson lembrou em sua palestra que na história recente da economia brasileira, por três vezes testemunhamos fases de crescimento − mais ou menos duradouras − que vieram depois de momentos de crise acentuada. A primeira delas ocorreu em 1964, quando a economia brasileira conseguiu reverter a grave situação pré-existente, criando as condições para o crescimento acelerado verificado posteriormente. A segunda, trinta anos depois, teve lugar em 1994, após a implantação do Plano Real, que pôs fim a um período em que a nossa economia conviveu com o perverso tripé estagnação prolongada-inflação crônica-crise das dívidas. O terceiro, por fim, aconteceu a partir de 2016, depois de dois anos de crescimento negativo no segundo mandato de Dilma Rousseff. Reportando-nos a essas três ocasiões, é possível identificar a existência de governantes que tinham vontade e liderança para comandar o processo de reversão da crise e início da recuperação. Em 1964, o presidente Castelo Branco deu total apoio à equipe econômica comandada por Octávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos a fim de fazer as reformas necessárias para pôr fim à grave crise em que o País se encontrava no governo de João Goulart, criando as condições para o crescimento acelerado do período 1968-1974, chamado por muitos de “milagre econômico”. Além da vontade e da liderança de Castelo Branco, e da competência dos dois ministros à frente das pastas da Fazenda e do Planejamento, Maílson ressaltou a importância do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), um think tank que esteve na articulação de uma série das ações de política econômica então adotadas. Em 1994, Itamar Franco, que assumira a presidência da República com o afastamento de Fernando Collor, nomeou Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda, com a recomendação de acabar com a inflação elevada que há muito tempo assolava o País, prejudicando a população como um todo, em especial os setores mais desfavorecidos, extremamente penalizados graças ao imposto inflacionário. Tendo essa incumbência, Fernando Henrique constituiu uma equipe econômica que elaborou o Plano Real, conseguindo, no curto prazo, a redução do nível de inflação e, na sequência, a sua própria eleição para a presidência da República. Com isso, garantiu a continuidade da estabilização da economia por meio do chamado tripé macroeconômico, conjunto de três diretrizes que orientaram a política econômica composto por metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Entre os principais formuladores do Plano Real, muitos dos quais integrantes da equipe econômica do governo FHC, destacam-se Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco e Edmar Bacha. A crise que se estendia desde a década de 1980 foi, portanto, enfrentada pela determinação dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, que combinaram vontade e liderança na gestão. Em 2016, Michel Temer assumiu a presidência para completar o restante do segundo mandato de Dilma Rousseff, que durou cerca de 1 ano e 8 meses. Iniciado em 1º de janeiro de 2015, foi interrompido pelo afastamento provisório em 12 de maio de 2016 e concluído com a perda definitiva do cargo pelo processo de impeachment em 31 de agosto de 2016. Ao deixar a presidência, Dilma Rousseff havia conduzido o Brasil à maior crise de sua história, com dois anos consecutivos de crescimento econômico negativo. Temer revelou vontade e liderança para reverter o quadro crítico em que o Brasil se encontrava e retomar o nível de atividade econômica, possibilitando a recuperação da taxa positiva de crescimento ao final dos dois anos e sete meses de seu mandato. Para tanto, seguiu um programa econômico e político concebido em outubro de 2015 pelo PMDB (atual MDB). Chamado de Uma Ponte para o Futuro, serviu como diretriz central para o governo de Temer. O documento propunha reformas liberais com o objetivo de conter a crise econômica, ajustar as contas públicas e retomar o crescimento do País. No exercício da presidência, Temer contou com uma equipe econômica competente, capitaneada
A importância de assumir riscos

O economista Luiz Alberto Machado escreve sobre os desafios a serem enfrentados quando se toma uma decisão Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático “Coragem não é a ausência de medo, mas agir apesar dele.“ Cristiana Pinciroli (Esporte: um palco para a vida SP: Primavera, 2021, p. 256) Poucos assuntos mereceram tanto espaço na mídia especializada nos meses de fevereiro e março como a pré-candidatura de três possíveis presidentes da República cogitados pelo PSD. Incontáveis matérias foram publicadas sobre o fato em si, além de inúmeras entrevistas concedidas pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, e pelos três governadores cujos nomes eram indicados pelo partido: Ratinho Junior, do Paraná, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás. Em termos de visibilidade, a estratégia do partido mostrou-se imbatível, embora nem sempre o tom das matérias vindas a público fossem favoráveis. Muitas apontavam razoável grau de dúvida do partido para tomar a decisão. Outras criticavam a demora na definição do nome, alegando que nesse tempo outros nomes com a candidatura já posta levavam vantagem. Quando, finalmente, o partido se definiu pelo nome de Ronaldo Caiado no dia 30 de março, outra enxurrada de matérias, muitas delas contendo dois tipos de críticas: enquanto algumas eram dirigidas ao nome escolhido, outras reforçavam a demora da tomada de decisão, argumentando que o fator tempo − normalmente importante − assume caráter ainda mais relevante num ano eleitoral com a existência de uma Copa do Mundo de Futebol no meio do caminho, que deverá concentrar a atenção de parcela considerável da população. Enquanto acompanhava a marcha dos acontecimentos e dos comentários que eram veiculados, refleti sobre a dificuldade da tomada de uma decisão de tal magnitude, bem como dos riscos inerentes a tal decisão. Inevitavelmente, lembrei-me de meus tempos de atleta e dos estudos sobre criatividade, áreas em que o surgimento de soluções criativas, muitas das quais novas, inesperadas e desconhecidas, despertavam elevado grau de resistência, requerendo de seus proponentes muita coragem para agir, promovendo as mudanças necessárias. Mudar não é fácil para ninguém. Essa afirmação serve para qualquer dimensão de mudança. Se já não é fácil abandonar antigos hábitos em ações e atividades caracterizadas pela simplicidade, em situações de maior complexidade é ainda mais difícil. Isso porque toda mudança implica em deixar de lado práticas há muito utilizadas, cujas consequências são sobejamente conhecidas, para substituí-las por novas práticas, sem que se conheçam os impactos e as consequências delas advindas. Em outras palavras, há um risco inerente a essa mudança e a maior parte das pessoas não está preparada para assumir riscos. Floriano Serra, destacado executivo do setor farmacêutico, foi um pioneiro entre os brasileiros que se aventuraram no estudo da criatividade. No livro Por que não? (SP: Editora Gente, 1992), ele afirma que para desenvolver o potencial criativo é preciso aprender a desaprender, que consiste em rever, questionar, atualizar ou descobrir novos valores, crenças, preconceitos, paradigmas e percepções. Esses valores, crenças, preconceitos, paradigmas e percepções funcionam como uma espécie de lentes por meio das quais cada um de nós enxerga o mundo. O problema é que às vezes essas lentes são tão potentes que ao invés de nos permitirem enxergar a realidade como é, elas deturpam a realidade toda vez que essa realidade conflita com os valores, as crenças, os preconceitos, os paradigmas e as percepções embutidos nessas lentes. E por que essas lentes são, às vezes, tão potentes? Porque foram formadas e sedimentadas ao longo de toda a vida, sendo-nos transmitidas muitas vezes por pessoas ou instituições pelas quais temos grande apreço. Sendo assim, essas lentes atuam como bloqueadoras do nosso potencial criativo. Floriano Serra identifica seis fontes por trás dessas lentes, por ele chamadas de “pês” bloqueadores: pais, professores, patrões, proibições, preguiça e perfeição (busca obsessiva). Pessoas ou instituições que não tiverem coragem de rever, questionar, atualizar, descobrir ou ressignificar novos valores, crenças, preconceitos, paradigmas e percepções, muitos dos quais transmitidos por nossos pais, parentes, pela antiga e admirada professora do jardim de infância – a “tia” – dificilmente conseguirão sair da caixa, permanecendo a vida toda fazendo as coisas como sempre foram feitas. Com essas reflexões em mente, passei a valorizar ainda mais a coragem do PSD, por ter assumido o risco de mudar, inovando no método de escolha de seu candidato à presidência da República, numa tentativa de oferecer ao eleitorado uma alternativa à polarização que tem dominado o cenário político brasileiro nos últimos anos. Encerro este artigo com um texto cuja autoria desconheço, mas que considero de uma força extraordinária para explicar a importância de nos preparamos para assumir riscos. Rir é arriscar-se a parecer louco.Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.Expor seus sentimentos é arriscar-se a não ser amado.Expor suas ideias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.Viver é arriscar-se a morrer.Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.Tentar é arriscar-se a falhar.Mas é preciso correr riscos.Porque o maior azar da vida é não arriscar nada.Pessoas que não arriscam, que nada fazem,nada são.Elas podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.Mas assim não podem aprender, sentir, crescer,mudar, amar, viver.Acorrentadas às suas atitudes, são escravas.Elas abriram mão de sua liberdade.Só a pessoa que se arrisca é livre.Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.Não se arriscar é perder a vida.
São Paulo reconhecida como cidade criativa

Capital paulista foi inserida na rede na área de cinema; para Luiz Alberto Machado, escolha consagra um conjunto robusto de políticas públicas e investimentos no setor cinematográfico e do audiovisual Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático e da Gecompany. No dia 31 de outubro, internacionalmente reconhecido como Dia Mundial das Cidades, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) oficializou a admissão de 58 novas cidades em sua Rede de Cidades Criativas, entre as quais a cidade de São Paulo, que passa a ser a décima quinta cidade brasileira a fazer parte da referida rede. Criada em 2004, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO tem como objetivo promover a cooperação internacional entre cidades que identificam a cultura e a criatividade como estratégias centrais para o desenvolvimento urbano sustentável. A rede abrange sete áreas criativas: artesanato e artes folclóricas, design, cinema, gastronomia, literatura, artes midiáticas e música. A admissão de São Paulo se deu na área de cinema, consagrando o dinâmico ecossistema audiovisual paulistano, resultado de políticas públicas consistentes da Prefeitura de São Paulo e de uma rede que envolve produtores, criadores, exibidores, festivais e instituições de ensino. Nessa mesma área, o Brasil (que conta com pelo menos uma integrante em cada área), já possuía duas cidades integrando a Rede da UNESCO: Santos (SP) e Penedo (AL). A inclusão da cidade ocorreu depois da candidatura da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC), Spcine (Empresa de Cinema e Audiovisual da Cidade de São Paulo) e Secretaria Municipal de Relações Internacionais (SMRI), que realizaram a inscrição do município no projeto. A indicação da cidade foi aprovada pelo Comitê Nacional da UNESCO em fevereiro deste ano e seguiu para a avaliação internacional por outras cidades membro, que agora confirma a vitória. A candidatura de São Paulo foi embasada por um conjunto robusto de políticas públicas e investimentos, no setor cinematográfico e do audiovisual. A existência da SPcine, que atua no desenvolvimento, financiamento e implementação de políticas para cinema, TV, games e novas mídias, demonstra o compromisso da Prefeitura de São Paulo com o setor. Além disso, o apoio aos realizadores locais se dá em diversas iniciativas, como o Circuito SPcine, que leva cinema a bairros periféricos, enquanto projetos como Cinema em Bibliotecas e sessões dentro da programação da Virada Cultural garantem acesso gratuito e democrático à população. O setor também se beneficia de editais e fomento direto, como o programa “Aceleração Amplifica Cine”, e investimentos massivos, que chegam aos R$ 80 milhões em 2025. A prefeitura também realiza oficinas de capacitação para orientar artistas e produtores sobre como acessar editais, apoia eventos e patrocina a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Das 23 cidades brasileiras que apresentaram candidatura em fevereiro, apenas São Paulo e Manaus foram indicadas para a aprovação final pela UNESCO. Porém, na relação recém-divulgada, apenas a cidade de São Paulo foi incluída na área de cinema. Manaus, que pleiteou a chancela na área de gastronomia, segue aguardando o reconhecimento. As novas 58 cidades anunciadas em 31 de outubro vêm se somar às 350 anteriormente selecionadas, compondo agora o total de 408 integrantes da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que recomenda que além de se destacar na área específica, a cidade dialogue com pelo menos outras três áreas − se possível com todas as outras. Entre as novas 58 cidades integrantes da Rede encontram-se Quito (Equador) e Lusail (Qatar) na categoria arquitetura, Zaragoza (Espanha) na gastronomia, e Nova Orleans (EUA) e Kiev (Ucrânia) na música. Dois depoimentos, a meu juízo, merecem ser ressaltados. O primeiro, de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO: “As Cidades Criativas da UNESCO demonstram que a cultura e as indústrias criativas podem ser motores concretos do desenvolvimento. Ao receber 58 novas cidades, estamos fortalecendo uma Rede em que a criatividade apoia iniciativas locais, atrai investimentos e promove a coesão social”. O segundo, de Lyara Oliveira, presidente da Spcine, uma das entidades responsáveis pela candidatura de São Paulo: “Esse reconhecimento destaca a relevância estratégica do audiovisual na capital paulista, que se sobressai ao abrigar um setor robusto e dinâmico, formado por profissionais altamente qualificados, empresas inovadoras e uma infraestrutura de excelência”.
Empreendedorismos

Luiz Alberto Machado fala sobre a importância do empreendedor na promoção do crescimento econômico e do desenvolvimento
Onde situar Delfim Netto no pensamento econômico?

É dificílimo o enquadramento do economista em alguma corrente, escreve Luiz Alberto Machado. Com o falecimento do professor Antônio Delfim Netto no dia 12 de agosto, recebi uma série de questionamentos sobre seu enquadramento na história do pensamento econômico, algo compreensível em tempos de polarização, quando as pessoas ficam sedentas de rótulos. A rigor, não é fácil enquadrá-lo numa determinada escola ou corrente de pensamento econômico, assim como não o é para qualquer personagem que, a exemplo de Delfim Netto, vestiu diferentes chapéus, entre os quais o de professor, pesquisador, secretário estadual, ministro em diferentes pastas, embaixador, consultor e deputado federal. Antes, porém, de me referir ao professor Delfim Netto e outros economistas brasileiros, gostaria de apresentar um breve panorama do pensamento econômico liberal. Referências sobre economistas liberais, quando feitas, costumam incluir Adam Smith, Thomas Malthus, David Ricardo e Jean-Baptiste Say entre os clássicos; às vezes John Stuart Mill e Alfred Marshall, entre os neoclássicos; e, entre os mais recentes, o monetarista Milton Friedman, da Escola de Chicago, e Friedrich Hayek, da Escola Austríaca. Neste artigo, vou focalizar quatro outros grandes economistas liberais que deram contribuições importantes para a evolução do pensamento econômico. São eles Ronald Coase, Gary Becker, James Buchanan e Douglass North. Coase foi determinante na análise dos direitos de propriedade para a estrutura institucional e o funcionamento da economia, dando especial ênfase aos custos de produção e às externalidades. As externalidades têm impactos negativos ou positivos que um determinado agente econômico sofre, decorrente das ações de outros agentes econômicos como as famílias, as empresas, os governos e o resto do mundo, que geram custos privados ou custos sociais, ou benefícios para outro agente econômico e para a sociedade. Becker, dotado de enorme dose de originalidade e criatividade, aplicou a teoria e métodos econômicos a diferentes áreas entre as quais o crime, a educação e os relacionamentos interpessoais, sempre na perspectiva liberal, ampliando consideravelmente o campo de atuação dos economistas. Buchanan, com a teoria da escolha pública, examinou a complexa relação entre a economia, o direito e a política, destacando os riscos decorrentes de déficits sistemáticos e propondo limites constitucionais à ação dos governos. North, por fim, mostrou a relevância das instituições para o desenvolvimento, chamando a atenção para os custos de transação presentes em qualquer operação do sistema econômico. Os quatro foram laureados com o Prêmio Nobel de Economia, evidenciando o caráter oportuno e atual do pensamento econômico liberal. Dirigindo agora o foco para o caso brasileiro e, num primeiro momento, especificamente para Delfim Netto, arrisco-me a fazer as seguintes considerações. Depois de ter sido secretário da Fazenda no Estado de São Paulo em 1966, assumiu o Ministério da Fazenda em 1967, em pleno regime militar, teoricamente para dar sequência à política adotada por Otávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos, responsáveis pela condução da economia no governo de Castello Branco. Tanto Bulhões como Roberto Campos são considerados economistas liberais, ainda que durante seus respectivos mandatos, o número de empresas estatais brasileiras tenha praticamente quadruplicado. Delfim Netto sempre nutriu simpatia pelo socialismo fabiano, uma corrente revisionista do socialismo marxista, que apoiava o sindicalismo, os atos fabris, a extensão do voto secreto, as cooperativas de trabalhadores, a regulamentação governamental da indústria, a legislação social e a nacionalização das indústrias básicas. Repudiando as doutrinas de lutas de classe e revolução, os fabianos trabalharam para introduzir reformas significativas, influenciando os líderes governamentais, formando alianças com grupos liberais e promovendo o Partido Trabalhista. Acreditavam que um eleitorado esclarecido, em nome da justiça social, socializaria lenta e pacificamente os meios básicos de produção, passando a administração das indústrias para agências municipais, regionais e nacionais. Em assuntos internacionais, os fabianos eram imperialistas e defenderam o governo britânico na Guerra dos Bôeres e na Primeira Guerra Mundial. Seus personagens mais influentes foram George Bernard Shaw, Sydney e Beatrice Webb, Graham Wallas e H. G. Wells. Na Universidade de São Paulo, Delfim Netto foi um dos principais responsáveis pela introdução dos métodos quantitativos, com ampla utilização da estatística e da econometria na análise econômica, e pela popularização das ideias do economista inglês John Maynard Keynes, considerado por muitos como o maior economista do século XX. A escola keynesiana, por sua vez, ocupa uma posição intermediária entre o liberalismo e o socialismo, acreditando ser necessária uma intervenção parcial do governo. Os principais pilares do keynesianismo foram assim sintetizados por Eduardo Giannetti [1]: 1º) Defesa da economia mista, com forte participação de empresas estatais na oferta de bens e serviços e a crescente regulamentação das atividades do setor privado por meio da intervenção governamental nos diversos mercados particulares da economia; 2º) Montagem e ampliação do Estado do Bem-Estar (Welfare State), garantindo transferências de renda extramercado para grupos específicos da sociedade (idosos, inválidos, crianças, pobres, desempregados etc.) e buscando promover alguma espécie de justiça distributiva; 3º) Política macroeconômica ativa de manipulação da demanda agregada, inspirada na teoria keynesiana e voltada,acima de tudo, para a manutenção do pleno emprego no curto prazo, mesmo que ao custo de alguma inflação. Portanto, com o chapéu de professor e pesquisador, Delfim Netto não pode ser considerado um economista liberal. Permanecendo no comando da economia brasileira até 1974 [2], foi chamado de “pai do milagre”, expressão referente ao acelerado crescimento da economia brasileira de 1968 a 1974. Ele contestava dizendo: “Nunca houve milagres. Milagre é efeito sem causa. É tolice imaginar que o Brasil cresceu durante 32 anos seguidos, começando na verdade em 1950, a 7,5% ao ano, por milagre”. O Brasil viveu de 1966 a 1979 o regime bipartidário, com apenas dois partidos, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que era o partido do governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que era o partido da oposição e reunia, entre outros, economistas ligados à Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). Os analistas e jornalistas, na sua maioria, adotaram a divisão genérica entre os economistas do governo e da oposição respectivamente como monetaristas e estruturalistas. Sendo assim, com o chapéu de ministro do governo militar, Delfim Netto foi tachado de monetarista, o que, a meu juízo, não passa de uma grosseira simplificação. Como deputado federal, eleito sucessivas vezes pelo Partido Democrático Social (PDS) [3], sucessor da ARENA, agremiação que sempre se posicionou contra o Partido dos
Resumo econômico de 2022, 2023 e previsão para 2024

Perspectivas Econômicas para 2023: Banco Central projeta inflação, PIB e câmbio, destacando desafios e oportunidades para investidores e empresas.
ANÁLISE DE INVESTIMENTOS… O QUE VOCÊ JÁ OUVIU A RESPEITO?

Infelizmente a maioria dos empreendedores deixam se levar ao entusiasmo do rápido crescimento sem considerar o “valor do dinheiro no tempo”, e se arriscam em segregar o bem material do capital investido. Na teoria econômica todo BEM DE CAPITAL é atrelado ao VALOR MONETÁRIO; e este pensamento permeia durante todo ciclo de vida útil de um determinado PRODUTO, na necessidade de avaliar algumas variáveis: 1. O capital investido; 2. O fator risco; 3. A questão tempo; 4. A remuneração do capital investido relacionada ao tempo e ao fator de risco. As decisões de investimentos requerem a seleção das melhores propostas e avaliação das origens de capital que financiarão tais investimentos, e que entrarão em operacionalização no médio ou longo prazo no OBJETIVO de produzir um determinado retorno aos proprietários de ativos. O estudo da análise de investimento, normalmente é aplicado as empresas que visam lucro, mas também pode ser aplicado a nossa vida pessoal e sendo este um dos motivos que pessoas que ganham muito dinheiro não conseguem alavancar seus ATIVOS e outras com um menor salário multiplicam suas riquezas em procurar entender as técnicas de AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS. O processo de identificação, análise e seleção de oportunidade de investimentos recebe o nome de ORÇAMENTO DE CAPITAL. Esse processo inclui um conjunto de raciocínio lógico de um refinado pensamento econômico em que TODO investimento a ser efetuado deverá remunerar seus provedores de capital (acionistas e bancos) acima da “TAXA MINIMA DE ATRATIVIDADE” …. No pensamento; que os acionistas somente efetuarão investimentos quando eles se sentirem atraídos em “bancar” o dispêndio do capital que irá “financiar” os projetos de investimentos, tais como: a inserção de um novo produto, a construção de um nova fábrica; etc. Sabendo que uma EMPRESA é um conjunto de “projetos de investimentos” que competem entre si, visando remunerar adequadamente seus provedores de capital… Tendo interesse de extrema urgência, agende um programa de MENTORIA diretamente comigo e vamos dar novos rumos a tua empresa. Prof. Alexandre Wander Especialista em Reestruturação e Avaliação de Empresas #empresas #empreendedorismo #gestor #gestaodepessoas,#empresario #empresas #empresaria #business #empreendedorismo #empreendedorismofeminino #gestaoempresarial http://www.gecompany.com.br/curso/analise-de-viabilidade-financeira-das-operacoes/
Globalização, futebol e competitividade – Copa do Mundo do Catar – Luiz Alberto Machado

“Quando o Mundial começou, pendurei na porta da minha casa um cartaz que dizia: Fechado por motivo de futebol. Quando o retirei, um mês depois, eu já havia jogado 64 jogos, de cerveja na mão, sem me mover da minha poltrona preferida.” Eduardo Galeano A globalização, uma das características mais marcantes do mundo contemporâneo, pode ser percebida diariamente nos mais variados campos de atividade. Frequentemente nos defrontamos com referências a aspectos econômicos da globalização, envolvendo questões comerciais, financeiras e das relações internacionais em geral. O fenômeno, no entanto, é muito mais amplo e perpassa por atividades tão díspares como saúde, educação, comunicações, cultura, turismo, lazer, ciência, tecnologia e esporte. Neste último setor de atividade, a globalização pode ser percebida de diversas formas: pelo interesse despertado por modalidades não praticadas até então em determinados países, atestada por elevadíssimos níveis de audiência às transmissões televisivas; pelos polpudos investimentos em patrocínios quer de eventos, quer de instituições ou clubes; pelo intercâmbio cada vez maior de atletas e técnicos, com significativas transferências de recursos financeiros entre países e continentes. Há, também, lamentavelmente, o lado obscuro da globalização no esporte, representado, entre outras coisas, por ações de lavagem de dinheiro, por seguidos casos de corrupção de dirigentes e pela busca de resultados a qualquer custo, por meio de sofisticadas formas de doping. Como não poderia deixar de ser, o futebol, como modalidade mais praticada no mundo, exerce uma atração especial, o que é evidenciado pelo enorme interesse despertado por sua principal competição, a Copa do Mundo, cuja vigésima segunda edição, a ser realizada no Catar, terá início dia 20 de novembro. Em suas edições anteriores, embora tenham participado seleções de 80 países, apenas oito conseguiram conquistar o almejado título: Brasil (5 vezes), Alemanha e Itália (4 vezes), Argentina, França e Uruguai (duas vezes), Espanha e Inglaterra (uma vez). Disputada pela sétima e última vez por 32 seleções (a próxima edição terá 48 seleções), a Copa do Catar terá algumas características especiais, a começar pela época em que será realizada por causa das altíssimas temperaturas verificadas nos meses de junho e julho, quando ocorre normalmente a competição. Além de ser disputada pela primeira vez no Oriente Médio, será também a primeira vez na história em que um Mundial terá jogos em estádios próximos uns dos outros, uma vez que a distância máxima separando um estádio do outro é de duas horas, o que permite que os torcedores que forem ao Catar tenham chance de assistir a um número maior de partidas em comparação com outras edições. Outro fator que tem despertado a atenção de torcedores e especialistas diz respeito à competitividade. Como é natural em competições dessa natureza, há algumas seleções favoritas, outras consideradas como segundas forças, outras ainda que “podem surpreender”, e outras que não tem nenhuma chance, para as quais chegar à fase final da Copa já significou muito. Para muitos analistas, a globalização está alterando essa situação, não apenas pela maior quantidade de partidas entre clubes e seleções de diferentes regiões, mas, sobretudo pelo intenso intercâmbio de jogadores, evidenciado pelo fato de que equipes de praticamente todos os países contem em seus elencos com diversos estrangeiros. Tal fator tem permitido que seleções de menor expressão historicamente, em especial da África e da Ásia, passem a enfrentar com relativa igualdade as poderosas seleções europeias e sul-americanas. Até agora, embora ofereçam maior resistência, as seleções desses países não conseguiram chegar à final de uma Copa do Mundo[1]. Ocorrerá no Catar? Por fim, há grande expectativa quanto ao desempenho de grandes estrelas do futebol mundial, algumas das quais terão a última possibilidade de conquistar um Mundial, casos do argentino Lionel Messi e do português Cristiano Ronaldo (Neymar, pela idade, ainda poderá participar de pelo menos mais uma edição da Copa do Mundo). Já pelo lado das decepções, a Copa do Catar não contará com a participação da tradicionalíssima seleção italiana, a Squadra Azzurra, nem de brilhantes estrelas do futebol da atualidade como o egípcio Salah e o norueguês Haaland, cujas seleções não se classificaram, e outras que se lesionaram e desfalcarão suas seleções, como é o caso dos franceses Kanté e Pogba, integrantes da seleção que conquistou o Mundial de 2018 e do senegalês Sadio Mané.. Está na hora dos brasileiros virarem a chavinha, deixando de lado a extrema polarização que cercou as eleições para a Presidência da República e unindo-se numa enorme corrente na torcida pelo inédito hexacampeonato. [1] De autoria por Luiz Alberto Machado: Economista, graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Mackenzie, mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), é sócio-diretor da empresa SAM – Souza Aranha Machado Consultoria e Produções Artísticas e consultor da Fundação Espaço Democrático. [2] Nos Jogos Olímpicos, em que há restrições para a convocação de jogadores e não há obrigatoriedade para que os clubes cedam seus jogadores para as seleções nacionais, o equilíbrio é maior e os resultados são mais imprevisíveis. Por conta disso, a medalha de ouro foi conquistada pela Nigéria, em 1996, e por Camarões, em 2000. Referências FOER, Franklin. Como o futebol explica o mundo: um olhar inesperado sobre a globalização. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. GALEANO, Eduardo; ASEFF, Marlova. Fechado por motivo de futebol. Tradução de Eric Nepomuceno, Sergio Faraco e Ernani Ssó. Porto Alegre: L&PM, 2018. UBERREICH, Thiago. Biografia das Copas. São Paulo: Onze Cultural, 2018.
Vai investir na BOLSA?? Consulte sempre um especialista em ANÁLISE FUNDAMENTALISTA..

Investir na BOLSA não é apenas tentar decifrar o “sobe e desce” do valor de um ação; é preciso entender como e quando as empresas constroem valor para seus investidores. Existe dois tipos de análise; a técnica (grafista) com visão de curto prazo e a fundamentalista onde procura-se identificar como os administradores estão construindo a riqueza aos seus acionistas, procurando correlacionar o risco do sistema (mercado) com o risco não sistema (da empresa); avaliando seu plano de investimento e a taxa de retorno projetada. Ao final, o valor das ações do mercado (BOVESPA) sempre acompanha as projeções de tendência da empresa e numa outra visão, após um longo período do fortalecimento da BOVESPA no Brasil, os índices estão próximo de uma maturidade e poucos ajustes positivos estão sendo percebidos nos últimos anos; ou seja a BOLSA cada vez mais deixa de ser um “jogo” de amadores para um jogo de “profissionais”, onde a ansiedade de ganho no curto prazo vem dando lugar a visão de longo prazo. Um bom investimento!!!! e boas compras ou venda de ações… Prof. Alexandre Wander Atuou como Controller em grandes empresas e complementou seu conhecimento acadêmico em escolas tais como: FGV-SP, PUC-SP e USP-SP. Atua como consultor junto a diretoria de empresas na implementação de técnicas de gestão empresarial. Ministra cursos VIP para executivos que desejam aprimorar seus conhecimentos profissionais. Professor nos cursos de Graduação (UNIP em finanças) e professor e coordenador nos cursos de Pós Graduação e MBA na FAAP. Visite nosso site: www.gecompany.com.br e siga-nos no Instagram: prof_alexandre_wander sobre dicas de Gestão Empresarial ANÁLISE FUNDAMENTALISTA – INVESTINDO NA BOLSA COM SEGURANÇA – 100% ON LINE #empresario #empresas #empresaria #business #empreendedorismo #empreendedorismofeminino #gestaoempresar
Reservas internacionais do Banco Central: O que é, e como funciona

As reservas internacionais são os ativos do Brasil em moeda estrangeira e funcionam como uma espécie de seguro para o país fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques de natureza externa , tais como crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital para o país. No caso do Brasil, que adota o regime de câmbio flutuante, esse colchão de segurança ajuda a manter a funcionalidade do mercado de câmbio de forma a atenuar oscilações bruscas da moeda local – o real – perante o dólar, dando maior previsibilidade e segurança para os agentes do mercado. Essas reservas, administradas pelo Banco Central, são compostas principalmente por títulos, depósitos em moedas (dólar, euro, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano), direitos especiais de saque junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), depósitos no Banco de Compensações Internacionais (BIS), ouro, entre outros ativos. A alocação das reservas internacionais é feita de acordo com o tripé segurança, liquidez e rentabilidade, nessa ordem, sendo a política de investimentos definida pela Diretoria Colegiada do Banco Central. visite o site do BC https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/reservasinternacionais